O Brasil Com O Colégio Eleitoral


Por: Ricardo Schmidt

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O sistema eleitoral brasileiro para as eleições de presidentes é feita com a contagem de todos os votos válidos, excluindo brancos e nulos, e vence o candidato que obtiver 50% + 1 dos votos totais de todo o país. Caso nenhum candidato consiga essa marca, um segundo turno é feito entre os dois primeiros colocados. Diferente dos votos para senadores e deputados, os votos para presidente realmente tem o mesmo peso em todo o país, mas e se fosse como no sistema americano?



(Mapa das eleições de 2016 nos EUA)


Nos Estados Unidos, quem escolhe o presidente no final das contas é um colégio eleitoral, definido pelas leis estaduais e pela constituição. Se um certo candidato consegue a maior parte dos votos em determinado estado (não precisa ser mais de 50%), ele já consegue todos os votos do colégio eleitoral desse estado, ou seja, se no Texas o candidato X tiver mais votos, e o estado do Texas tiver o peso de 38 votos, então todos os 38 votos vão para o candidato X, e nenhum para o Y, a não ser que um membro do colégio eleitoral decida por não votar no candidato indicado pelo povo. Esses casos não são regra, mas acontecem. Nas eleições de 2016, alguns membros desses colégios se recusaram a dar seu voto para Hillary Clinton ou Donald Trump, e deram para outros candidatos. No caso, isso não afetou o resultado final. Curiosamente, Hillary conseguiu mais votos do que Trump no voto popular, mas não conseguiu mais no colégio eleitoral. 

Mas como são definidos os votos do colégio? Bom, quanto cada estado vale é baseado no último censo populacional para definirem a proporção mais correta. Cada estado tem o mínimo de 1 representante na "câmara de representantes (deputados no Brasil)" e um número fixo de 2 no senado. Daí por diante, o número aumenta de acordo com a população. Isso tudo totalizando 538 votos ao total, 435 representantes, 100 senadores e mais 3 representantes do Distrito de Colúmbia, a capital. Desse modo, são precisos 270 votos para que alguém seja eleito. Se nenhum candidato alcançar essa marca, quem decide o presidente é o congresso. 



Agora para fazer esse cálculo no Brasil, fiz a mesma regra que acontece nos Estados Unidos, o peso de cada estado é definido pela soma do número de representantes (deputados) e senadores. No Brasil o número mínimo de deputados por estados é 8 e um máximo de 70, e de senadores é um número fixo de 3 por estado. Porém esses números não são atualizados desde 1993. Para uma representação real, São Paulo precisaria ter pelo menos 110 deputados, e outros estados teriam menos de 8, mas para esse cálculo, vamos manter os números atuais, sem a atualização oficial do congresso, afinal, não saberíamos como ficaria realmente. 

No caso Brasileiro, somando todos os deputados e senadores de cada estado, temos esta lista. Para alguém se eleger, precisaria de pelo menos 298 votos do colégio eleitoral.

Senadores/ Deputados /Total
Brasil 81 513 594
São Paulo 3 70 73
Minas Gerais 3 55 58
Rio de Janeiro 3 45 48
 4  Bahia 3 39 42
Rio Grande do Sul 3 30 33
Paraná 3 29 32
Pernambuco 3 24 27
Ceará 3 24 27
Pará 3 21 24
10  Maranhão 3 18 21
11  Goiás 3 17 20
12  Santa Catarina 3 17 20
13  Paraíba 3 10 13
14  Espírito Santo 3 9 12
15  Amazonas 3 9 12
16  Piauí 3 8 11
17  Alagoas 3 8 11
18  Acre 3 8 11
19  Amapá 3 8 11
20  Distrito Federal 3 8 11
21  Mato Grosso do Sul 3 8 11
22  Mato Grosso 3 8 11
23  Rio Grande do Norte 3 8 11
24  Rondônia 3 8 11
25  Roraima 3 8 11
26  Sergipe 3 8 11
27  Tocantins 3 8 11