O Dia Antes da Eleição


Por: Ricardo Schmidt

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Está chegando aquele momento em que boa parte da população está apreensiva, o dia da eleição. 

Nesse 6 de Outubro, os brasileiros maiores de 18 anos com até 70 anos são convocados obrigatoriamente a elegerem deputados estaduais/distritais, federais, senadores, governadores e presidente. 

Essa é definitivamente uma eleição diferente. O fator da televisão e rádio não mais foi importante. O candidato com maior tempo de televisão (mais de 5 minutos), amargou em quarto lugar nas pesquisas, enquanto o candidato com 8 segundos está em primeiro lugar isolado. A internet e as redes sociais foram as grandes protagonistas.

Bolsonaro incorporou toda a força do anti-petismo, e apesar de político há quase 30 anos, muitos o veem como uma novidade, algo diferente de tudo o que poderia chegar ao poder. A facada, dada por um ex-integrante do PSOL, no final das contas não foi fator que alterou de cara os números, a oscilação de intenções de voto foi dentro do esperado. Porém o público viu praticamente todos os candidatos o atacando, e isso de certo modo gerou um sentimento de justiça na população, por ele estar hospitalizado e sem voz de defesa em debates, além de que muitos que o viam como alguém muito durão, viram-no também como frágil. Seu símbolo virou basicamente a bandeira do Brasil. Estranhamente postar algo com a bandeira do Brasil virou sinônimo de apoiar Bolsonaro pra muitos. Seus seguidores vão em manifestações vestidos de verde e amarelo, diferente da cor do partido antes de sua chegada, o roxo.




Já em carreatas de Fernando Haddad, ir de verde e amarelo, as cores do país, é um perigo certeiro. Pouquíssimos o seguem com essa bandeira, que é substituía pela bandeira vermelha do PT, do socialismo, do PCO, ou pela bandeira LGBT. Depois da prisão de Lula, seu candidato a vice tornou-se o candidato principal. Chamado de poste, Haddad não deixa de citar Lula em nenhum momento. Haddad é Lula. A transferência de votos de Lula para Haddad foi grande, mas nem perto dos números que Lula tinha em pesquisas anteriores. No interior do Nordeste, eleitores de Lula afirmaram que poderia ser literalmente um jumento no lugar de Lula que o 13 teria seu voto. Haddad, junto de sua vice do Partido Comunista Brasileiro, Manuela D'ávila, seguiram a estratégia de não atacar diretamente o líder das pesquisas, deixando o trabalhado sujo para os "inimigos" históricos do PT, o PSDB.




Alckmin tenta pela segunda vez ser presidente esse ano, após ser derrotado em segundo turno em 2006 por Lula em sua reeleição. Alckmin é um político com bastante popularidade em seu estado natal, São Paulo, mas nacionalmente nessas eleições não decolou. Sua coligação com o "centrão" não colou. Seu tempo enorme de televisão não colou. Sua tentativa de ser o "Anti-PT" não colou. Alckmin não colou.




Entre esses, tivemos também o ex-governador do Ceará tentando novamente o cargo de presidente, Ciro Gomes. Sua campanha se apresentava como uma esquerda light, leve, moderada, apesar de seus encontros com o Partido Comunista Chinês. Ciro se mostrou bem "alterado" durante toda a sua campanha, para ser educado. Sua coletânea de xingamentos para diversos grupos e pessoas e outras agressões foram bem longas, apesar de se apresentar como alguém moderado e do diálogo nos debates. Com a força de Haddad depois de ser oficializado candidato, Ciro viu seu sonho de ir para o segundo turno virar pó. 




Nossa eterna candidata Marina Silva também não poderia faltar. Pela terceira vez ela tenta o cargo, democraticamente. Apesar de ter começado como vice-líder das pesquisas, sua campanha murchou como em 2014, onde nas pesquisas ela estava em segundo, e até em primeiro em dado momento. De segunda colocada para quinta/sexta, com míseros 3% de intenção de votos. Até as próximas eleições, Marina.




E no final da reta empatando com Marina está João Amoêdo, em sua primeira candidatura a presidente, e primeira também do Partido Novo, em atividade efetiva nas eleições a partir das eleições municipais de 2016. Chegar até esse ponto sem fundo eleitoral ou grande tempo de TV e com um partido literalmente bem novo foi de certo modo impressivo. Grandes mudanças podem acontecer nas próximas eleições em relação a esse partido.




Outras figuras se destacaram. Meirelles com seus vários marqueteiros e seus milhões gastos na campanha conseguiu expressivos 2% de intenções. Um grande feito para quem está como candidato do presidente com 2% de aprovação, Michel Temer. Álvaro Dias até tentou se promover com o nome de Sérgio Moro, mas mesmo com 40 segundos de televisão não decolou, apenas tendo votos expressivos no Paraná. Guilherme Boulos do PSOL vez seu papel de oposição a todos nos debates, com sua perfeita dialética marxista e modo de falar, mas mesmo assim não conseguiu ser uma nova Luciana Genro, sofrendo entre 0% e 1%. Eymael como sempre estava na disputa, e pudemos ouvir seu saudoso jingle. Eleição sem Eymael não é eleição de verdade. Vera Lúcia da rebelião continuou totalmente anônima durante as eleições, assim como o filho do último presidente antes de 1964, João Goulart Filho. 




No entanto, a grande figura dessas eleições foi Cabo Daciolo, Graças a Deus! O pastor evangélico expulso do PSOL foi a aposta do Patriota ao invés de Dr. Rey, que tentou candidatura para deputado federal. Daciolo declarou guerra a grande mídia, ao imperialismo, aos capitalistas, aos socialistas, aos illumintais, aos maçons e até mesmo às lojas Havan. Glória!




Basicamente, é isso. Como disse Rosa Weber, amanhã é a festa da democracia. Mas vá com calma, é uma festa em que você não tem a opção de não participar, sua presença é obrigatória. Apesar de ela afirmar que casa voto vale o mesmo, parece que esqueceu que para se eleger senador por Roraima é preciso em torno de 90 mil votos, enquanto em São Paulo na última eleição o candidato precisou de mais de 11 milhões de votos para a mesma vaga com o mesmo peso. 



É uma festa que para quem gosta de comemorar com vinho ou cerveja também não é das melhores, até algumas horas após o término da votação, em vários estados terá lei seca. É uma festa também que você pode comemorar, a não ser que você não induza ou peça votos para ninguém, agora nem mesmo nas redes sociais isso será permitido. Estava pensando em passar o número de algum deputado pelo "zap" para algum tio seu? Não não, isso é crime, até 1 ano de prisão.